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Mudança de nome da rua Peixoto Gomide em discussão na Câmara

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou em primeira votação, em março passado, o projeto de lei que altera o nome da rua Peixoto Gomide, na região dos Jardins, para Sophia Gomide. O projeto é de autoria da Bancada Feminista do PSOL e agora conta com coautoria de mais parlamentares.

A proposta foi aprovada com 33 votos favoráveis e ainda precisa passar por uma segunda votação na Casa. Se for aprovada, seguirá para sanção do prefeito Ricardo Nunes.

Peixoto Gomide assassinou a própria filha Sophia Gomide em 1906, por não concordar com seu casamento, e se matou em seguida. Em 1914, ele foi homenageado com o nome da rua pela Câmara Municipal. Já o nome de Sophia sequer foi citado nas honrarias.

Segundo seus autores, o objetivo da mudança é promover a reparação histórica e dar visibilidade às vítimas de feminicídio, no momento em que “o Brasil vive uma epidemia de violência de gênero contra a mulher”.

A Bancada Feminista informa que tem ainda em tramitação na Câmara outros três projetos de lei que integram a campanha “Feminicida não é herói, feita em parceria  com organizações da sociedade civil, como Minha Sampa e Instituto Polis.

A iniciativa também propõe alteração de denominação da rua Moacir Piza para Nenê Romano e da rua Alberto Pires para dona Leonor de Camargo Cabral, além de um projeto de lei que já foi aprovado em primeira votação proibindo futuras homenagens a feminicídas em logradouros públicos da cidade de São Paulo.

“Ao dar o nome de Sophia Gomide a essa rua, nós dizemos, de forma clara, de que lado estamos: do lado das vítimas, da memória, da dignidade e da vida das mulheres”, afirmou Silvia Ferraro, co-vereadora da Bancada Feminista do PSOL.

Após aprovação do projeto em primeira votação, a Câmara deverá realizar agora uma audiência pública sobre a mudança da rua Peixoto Gomide. O autor da convocação foi o vereador Rubinho Nunes, que é contrário à alteração.

O requerimento para a audiência foi apresentado pelo vereador para que se busque garantir a participação de moradores, comerciantes e especialistas, diante dos impactos diretos que uma eventual alteração pode gerar.

De acordo com o documento apresentado, a medida pode atingir milhares de contribuintes, com reflexos sobre registros imobiliários, cadastros administrativos, atividades econômicas e serviços urbanos, além de impor custos financeiros e burocráticos.

Para Rubinho Nunes, o debate não pode se limitar a disputas simbólicas. Ele disse que será solicitado à equipe técnica da Câmara um levantamento detalhado sobre os impactos da eventual mudança: “A ideia não é tratar somente dos conflitos históricos do caso, mas de como isso afeta a vida real do cidadão paulistano que mora e trabalha naquela rua”.

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