Na manhã de domingo, 26 de abril, a Orquestra Filarmônica Santo Amaro (Ofisa), sob regência e direção artística da maestrina Silvia Luisada, fez sua última apresentação pública no Teatro Municipal Paulo Eiró, na praça em frente ao teatro, em Santo Amaro.
Em formação menor, com cordas e percussão, a orquestra fez uma retrospectiva dos últimos 100 anos das trilhas do cinema e contou com a participação de cantores e bailarinos convidados, fazendo uma interação das artes com a orquestra.
Ao ar livre, a Ofisa dividiu a praça com centenas de pessoas de todas as idades que lá foram assistir o espetáculo, numa experiência de proximidade.
“Eu não me arrependo de nada que fiz até hoje. Sinto que cumpri minha missão, agora, se a gente vai continuar, esse futuro a Deus pertence. Mas acho que ciclos fecham e que ciclos abrem, e eu aviso vocês aonde vamos estar, como vamos estar, para estarmos juntos novamente”, disse a maestrina Silvia ao público ao anunciar o encerramento das atividades da Ofisa no Teatro Paulo Eiró.
Com 22 anos de historia, a orquestra é patrimônio cultural de Santo Amaro e contribui na formação de músicos, artistas e público. Ela é composta por 66 pessoas, sendo 51 músicos que dependem financeiramente deste trabalho.
“A parceria com a Secretaria Municipal de Cultura terminou e nós estamos pedindo apoio, pois temos leis de incentivo fiscal aprovadas para empresas privadas e assim podermos começar um novo ciclo em outro teatro de uma outra forma”, explicou Silvia em entrevista ao “Notícias”.
A maestrina acrescentou que “se as empresas de Santo Amaro resolverem patrocinar a gente, continuaremos em Santo Amaro. Nós vamos levar o nosso público com a gente, assim como aconteceu quando o Teatro Paulo Eiró esteve fechado. Nós fomos tocar no Memorial, no Sesc e em outros lugares, e o público nos acompanhou”, afirmou.
Silvia disse acreditar que os 35 anos de sua vida dedicados à Secretaria de Cultura foram suficientes. “Agora, se eles não foram suficientes para dar continuidade a um trabalho como esse, então é hora de encerrarmos o ciclo e seguirmos adiante”, completou.
Sobre o concerto especial do domingo, junto com a Ofisa na retrospectiva dos últimos 100 anos das trilhas sonoras do cinema, se apresentaram o Grupo de Dança Passo Livre, o barítono Alan Lopes e a soprano Regina Milione. “Com a música nós temos que entrelaçar outras artes, como a dança, porque aí o concerto vira um espetáculo. Quem ainda não viu um balé tem a oportunidade de ver, ou a chance de ouvir um cantor e assim por diante. É uma visão de trabalho, de cultura, que eu acredito”, explicou Silvia.
Ao público presente na praça a regente declarou que “a educação cultural, o lazer cultural, são direitos de todos e que a gente constrói com hábitos, frequentando, e sabendo que temos o direito de ter cultura”.





















Além da apresentação da Ofisa, aconteceu no local a Feira de Artes Santo Amaro, com artesanato, serviços e gastronomia para os participantes durante todo o domingo.


Comente Aqui