Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram que em 2025 o Brasil atingiu um total de 31,8 milhões de míopes. O país vive uma mudança: a miopia começa cada vez mais cedo. Se concentra na população entre 20 e 30 anos o maior número de casos – 40% do total.
De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier de Campinas e membro da Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa, entre jovens a condição deixa de ser apenas biológica. Passa a impactar na produtividade, mobilidade e qualidade de vida.
Nos consultórios, ressalta, o efeito é direto: cresce a procura pela cirurgia refrativa dos que têm de 25 a 35 anos. Isso porque nesta faixa etária o grau está estabilizado e muitos jovens, especialmente as mulheres, três em cada dez, não gostam de usar óculos e uma parcela importante não se adapta às lentes de contato.
Intitulado “Resultados Relatados pelo Paciente com Lasik”, o estudo mostra que menos de 1% dos que passaram pela cirurgia refrativa teve dificuldade nas atividades habituais e mais de 95% ficaram satisfeitos com a visão.
Queiroz Neto afirma que a melhor técnica cirúrgica é a que mais se adapta à espessura da córnea, condições do filme lacrimal, grau da miopia e estilo de vida de cada paciente.
“Para altos graus, córneas finas e pessoas com deficiência na produção da lágrima, a cirurgia mais indicada é o implante de ICL, uma microlente que fica entre a íris, parte colorida do olho, e o cristalino”, pontua. Queiroz Neto ressalta que a ICL também é indicada para correção de astigmatismo que pode estar associado à hereditariedade ou quando a córnea toma um formato ovalado pelo hábito de coçar ou esfregar os olhos.
O oftalmologista explica que isso provoca a deformação da córnea que passa a projetar imagens em vários pontos da retina, tornando a visão de perto e de longe distorcidas. O implante não é indicado para hipermetropia, dificuldade de enxergar de perto, porque o espaço entre a córnea e a íris pode ser estreito em hipermetropes e a IC levaria ao desenvolvimento de glaucoma.
NOVAS TERAPIAS
Queiroz Neto ressalta que o aumento da miopia no mundo transformou o tratamento a partir da descoberta de que é a periferia da retina e não a retina que induz ao crescimento axial do olho – distância entre a córnea (lente externa) e a retina (fundo do olho), característica fisiológica de olhos com alta miopia em que o comprimento do olho é de 26mm, ante 22 a 23 mm em olhos com comprimento normal.
A partir daí foram desenvolvidos três tipos de lente de contato e de óculos para controlar o crescimento do olho. São elas: lente de desfoque periférico, lentes com foco central menor para fortalecer o desfoque periférico e lentes multifocais que adicionam alto poder de foco à visão periférica e à distância.
A alta miopia, alerta o especialista, estica e fragiliza a retina que é fina como um papel celofane, pode romper e levar à perda da visão. Outras condições graves desencadeadas pelo avanço da miopia são a catarata precoce, glaucoma e, em casos extremos, degeneração macular.
Diversos estudos sugerem que apenas 30% estão associados à genética. A maior causa da miopia na infância é o excesso de telas, diz Queiroz Neto. Isso ficou demostrado em um levantamento realizado por ele com 360 crianças e foi comprovado durante a pandemia de Covid por pesquisa do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia).
O oftalmologista ressalta que para prevenção da miopia é indicado duas horas de atividades sob o sol / dia. Isso porque há evidências de que a exposição ao sol aumenta a produção de dopamina, hormônio do bem-estar que inibe o crescimento do olho.
Alimentação inadequada com excesso de açúcar e ultraprocessados também deve ser evitada. Por outro lado, a dieta mediterrânea melhora a circulação do globo ocular e aumenta a resistência da esclera, diminuindo a progressão.


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