Há dias em que a vida desmonta tudo de uma vez. E há outros, raros, em que ela, em silêncio, prepara uma resposta.
Naquele fim de tarde de maio, a casa de Regina ainda carregava janeiro. A ausência da mãe não tinha ido embora, só tinha aprendido a ficar quieta. E foi com esse silêncio nos ombros que Regina abriu a porta, trazendo Leonardo nos braços: o começo da vida… no meio de uma saudade que não acaba.
Mas o improvável já estava acontecendo.
A pedido de Humberto, pai de Leonardo e guardião daquele instante, Fredi Jon estava escondido dentro do guarda-roupa, vestido de anjo, asas recolhidas, esperando a hora certa de existir. Quem sustentava o segredo era Marisa, a empregada da casa, cúmplice silenciosa de um gesto que não podia falhar. Ela cuidou de cada detalhe como quem protege algo sagrado.
E então Regina entrou. A porta do guarda-roupa se abriu. O violão falou primeiro. As notas entraram na casa como quem já conhecia aquela dor. E, sem pedir licença, começaram a reorganizar o que estava quebrado. Canções leves, quase inocentes. Sobre começo, colo, futuro. Sobre Leonardo. Mas, no fundo, sobre permanência. Porque aquela serenata não era só homenagem, era uma travessia entre o que partiu e o que ficou.
Regina caiu no choro daquele tipo de emoção que desmonta e reconstrói ao mesmo tempo. Como se, ali, alguém dissesse sem voz: “o amor não foi embora”. Humberto permaneceu em silêncio, não por falta de palavras, mas porque sabia que algumas verdades não se dizem, se entregam. E Leonardo, pequeno demais para entender, já começava a viver o essencial: ser amado antes de compreender o amor.
O anjo saiu do guarda-roupa. A serenata acabou, mas o que aconteceu ali, não terminou. Porque naquele instante, Regina não recebeu apenas uma serenata. Ela recebeu uma resposta que a vida demora a dar: que nenhuma perda é maior do que o amor que a atravessou.
E, pela primeira vez desde janeiro, ela não sentiu falta… Sentiu presença.
Por: Fredi Jon
(Conheça a nossa arte da serenata – serenataecia.com.br / 11 99821-5788)


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