Nem sempre quem espalha alegria está, de fato, alegre. O músico vive nesse curioso teatro invisível onde o show não para, mesmo quando a alma pede intervalo e o bolso pede socorro.
Ser músico é quase uma profissão de fé… com leves traços de teimosia. Tem dia que ele acorda inspirado. Tem dia que acorda atrasado. E tem dia que nem dorme, porque o travesseiro virou capa de violão no banco do carro. O jantar? Às vezes é uma coxinha fria ou o famoso X músico (pão com mortadela). Mas ele vai. Sempre vai.
Vai cantar em festas de quem nunca viu, mas que, por algumas músicas, vai tratar como se fosse historia antiga. E lá está ele, cantando amor com o coração remendado, sorrindo enquanto faz conta mental de boleto vencido, desviando de buraco na rua e de pensamento pesado.
O músico é quase um mágico… só que sem capa e sem garantia de pagamento no final. Ele transforma barulho em melodia, pedido de última hora em repertório e tristeza em algo que dá vontade de aplaudir. Um verdadeiro alquimista emocional, embora às vezes o cliente ainda peça desconto “só porque é rapidinho”.
E não é fácil. Tem trânsito, tem medo, tem chuva que derruba equipamento e vento que desafina até a paciência. Mas ele segue. Meio cansado, meio atrasado, inteiro naquilo que importa.
Porque, no fundo, o músico entendeu algo que muita gente ainda não percebeu: o maior palco do mundo não tem luz, tem gente. Gente que ri, que chora, que lembra, que esquece por alguns minutos a dureza da vida.
E é aí que ele trabalha. Com emoção, esse material instável que não aceita ensaio. Ele entrega o que muitas vezes nem tem sobrando: leveza, memória, esperança.
No fim da noite, quando volta pra casa com o corpo pedindo manutenção e o bolso fazendo eco, ele carrega uma certeza silenciosa: valeu. Alguém sorriu. Alguém chorou. Alguém sentiu.
E talvez esse seja o segredo, meio louco, meio bonito, de quem escolhe essa vida: continuar, mesmo sem garantias, porque parar seria pior.
Enquanto houver alguém disposto a ouvir, ele estará lá. Violão em punho, sorriso cansado, uma piada pronta pra disfarçar o caos e uma alma teimosa o bastante pra transformar mais um dia comum em algo inesquecível.
Porque, no fim das contas, quem canta pra vida não fica rico, mas também não fica vazio.
Fredi Jon
(Conheça nossa arte da serenata – serenataecia.com.br / 11 99821-5788)






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