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Ato no domingo marca 10 anos de luta contra o abate de jumentos no Brasil

A Frente Nacional de Defesa dos Jumentos faz um ato aberto ao público neste domingo, 18 de outubro, das 10h às 11h, na praça Oswaldo Cruz, no início da avenida Paulista, região central da cidade de São Paulo, para marcar dez anos de mobilização contra o abate desses animais no país.

A Frente foi criada em 2016, quando o governo da Bahia autorizou o abate de jumentos no estado, e reúne organizações de defesa animal e ativistas. Desde então, pede o fim do abate e a criação de santuários públicos para acolher os animais. Em julho de 2023, levou à mesma avenida a Quinta Ação Nacional Contra o Abate de Jumentos, com atos em outras 14 capitais.

Nos últimos anos, o abate de jumentos no Brasil se concentrou em três frigoríficos da Bahia e atendeu sobretudo à exportação da pele para a China, onde ela é matéria-prima do ejiao, gelatina usada na medicina tradicional chinesa. Levantamento de pesquisadores com dados da FAO, do IBGE e do Agrostat, do Ministério da Agricultura, aponta queda de 94% na população brasileira de jumentos entre 1996 e 2024. A reposição é lenta porque a gestação da jumenta dura cerca de um ano.

A organização britânica The Donkey Sanctuary, que mantém campanha no Brasil, projeta risco de extinção dos jumentos brasileiros até 2030 se o ritmo de perda continuar.

Em 13 de abril, uma sentença da 1ª Vara Federal da Seção Judiciária da Bahia proibiu o abate de jumentos, mulas e bardotos no estado, na ação civil pública que a Frente e outras entidades de proteção animal movem desde 2018. A decisão admite recurso, e por isso as entidades defendem uma lei nacional.

No Senado, projeto de lei que proíbe o abate de jumentos em todo o território nacional, nasceu de uma sugestão do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal no portal e-Cidadania e aguarda parecer na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária. Na Câmara, outro PL que veda o abate para consumo, comércio ou exportação, aguarda votação na Comissão de Constituição e Justiça.

“O abate de jumentos é uma tragédia, e nem a sentença que o proibiu na Bahia tem sido suficiente para acabar com as mortes. Precisamos que o governo federal determine o fim imediato do abate. É uma medida justa, num país que já perdeu 94% dos seus jumentos”, afirma a advogada Gislane Brandão, coordenadora-geral da Frente.

O ato tem apoio da aica (ativistas independentes pela causa animal), braço de responsabilidade social da agência ADAG Comunicação. O material de comunicação desenvolvido, tanto para o ambiente digital como para o evento presencial, traz a frase “Pelo fim do abate dos jumentos” e, num dos adesivos, “O jumento é nosso irmão”, que Luiz Gonzaga cantou em defesa do animal.

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