Inspirado no universo dos duelos e no lema “um por todos e todos por um”, o projeto “Mosqueteiros” democratiza o acesso à esgrima e revela talentos onde antes faltavam oportunidades.
Criada em 2014 pela Associação Brasileira de Esgrimistas (ABE), presidida pela ex-atleta olímpica Maria Júlia Herklotz, a iniciativa nasceu com o objetivo de levar a modalidade a quem dificilmente teria acesso. Às quartas-feiras, das 12h às 13h, entre máscaras, espadas e passos precisos, oito alunos se reúnem no Centro Educacional Unificado (CEU) Paraisópolis para aprender técnicas de combate.
No espaço, a esgrima se transforma em ferramenta de desenvolvimento. Coordenação motora, condicionamento físico e, principalmente, autoconfiança fazem parte do processo. “Às vezes, é uma criança que não se encontra em outros esportes. Aqui ela descobre algo que gosta, começa a ter resultados e se sente acolhida”, explicou o atleta profissional e professor, Richard Grunhauser, responsável pelas aulas.
Os resultados já começam a aparecer dentro e fora do CEU. No ano passado, três alunos participaram de um campeonato brasileiro, em Porto Alegre. Mesmo no início da trajetória, o desempenho foi animador: cada um venceu ao menos uma disputa na fase de grupos. “Foi extremamente positivo”, destacou.
Para o futuro, o objetivo é claro: criar pontes e ampliar horizontes. “Eu quero que essas crianças tenham oportunidade de chegar a clubes, conseguir bolsas, construir um caminho no esporte. A esgrima pode ser uma porta para muita coisa”, reforçou o professor.
Neste cenário, iniciativas como o projeto “Mosqueteiros” ganham ainda mais relevância ao aproximar a modalidade de crianças e adolescentes que, de outra forma, dificilmente teriam contato com o esporte. O aluno José Henrick de Almeida Barbosa, de 11 anos, conta que não conhecia a esgrima e foi incentivado por um amigo. Já são cinco meses de prática e mudanças na sua vida. “Fiquei mais ágil e disposto. Melhorou minha disciplina, meu raciocínio e reflexos”, avalia Barbosa.
Já Ayla Vitória Macedo Lima, de 12 anos, descobriu a modalidade por meio de uma animação. “Eu a conheci pelo desenho Miraculous e fiquei curiosa. No futuro, pretendo seguir carreira”, conta Ayla.
SONHOS E METAS
Entre os oito participantes atuais — seis meninos e duas meninas —, o interesse pela esgrima cresce junto com os sonhos. Para muitos, o primeiro contato acontece ali, no próprio CEU, despertando não só a curiosidade, mas também o desejo de ir além. Quero ser um atleta profissional”, afirma Derick Silva de Oliveira, de 11 anos.
Para participar das aulas, basta procurar a secretaria do CEU Paraisópolis e realizar a inscrição. O projeto é gratuito e fornece todo o material necessário, o que faz diferença em um esporte cujo equipamento completo pode ultrapassar R$ 10 mil. A faixa-etária é para o público entre 7 e 14 anos, seja estudantes da rede municipal ou da comunidade. Não precisa ter experiência prévia.
Com capacidade para até 15 alunos por turma, o projeto já planeja expansão, mas esbarra em um desafio: o financiamento. “A gente precisa de apoio para continuar. Já tivemos momentos em que o projeto quase parou. Hoje estamos mais estruturados, mas ainda dependemos de incentivo para crescer”, concluiu Grunhauser.


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