Criticado pela falta de diálogo como relator do Projeto de Lei (PL) Antifacção – o marco legal do combate ao crime organizado – o deputado federal Guilherme Derrite também tem sido alvo de queixas por sua atuação como secretário de Segurança Pública do Governo de São Paulo.
Derrite não entregou à Polícia Civil paulista a nova Lei Orgânica da instituição, antes mesmo de ser exonerado do cargo do primeiro escalão estadual para atuar politicamente na Câmara dos Deputados, em Brasília, para ser o relator do Projeto Antifacção.
Também não discutiu o tema com entidades representativas dos policiais, que enfrentam falta de transparência e de debate nos trabalhos, como informa o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp). Em paralelo, a entidade cobra as promessas de campanha do governador Tarcísio de Freitas que, recentemente, ofereceu as forças de segurança de São Paulo para auxiliar em operações no Rio de Janeiro, mas não resolveu problemas históricos da Polícia Civil bandeirante.
O Sindpesp destaca que tenta, há meses, obter informações concretas sobre a nova Lei Orgânica, gestada por um Grupo de Trabalho Intersecretarial (GTI) nomeado por Derrite. Os trabalhos começaram em fevereiro de 2025 e foram prorrogados por duas oportunidades, sem qualquer publicidade.
O sindicato quer ter acesso ao teor da legislação, antes que a mesma seja encaminhada à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) para deliberação. A ideia é que a matéria assegure direitos importantes e não seja uma mera reforma administrativa da Polícia Civil: “Em São Paulo, convivemos com uma gestão que não conversa com as entidades de classe. Exemplo disso é a nova Lei Orgânica, que trata do futuro da Polícia Civil pelas próximas décadas, mas
que está sendo gestada sem diálogo”, critica a presidente do Sindpesp, delegada Jacqueline Valadares (Foto).
A instituição enfrenta outros problemas sérios sob a gestão de Derrite, a exemplo da desvalorização remuneratória, que agrava a evasão. Hoje, são 15 mil cargos vagos na Polícia Civil paulista de um total de 42 mil previstos – de delegados a investigadores, de escrivães a peritos criminais, entre outros.
Também falta um plano de carreira que assegure não somente a ausência de interferências políticas nas promoções, mas, sobretudo, o fim da sonegação de direitos básicos, como hora-extra, adicional por trabalho noturno e auxílio-saúde, entre outras deficiências estruturais, informa a presidente do Sindicato.
“Estamos à míngua, à deriva. É como se em São Paulo estivesse tudo bem, em ordem e em dia. É como se aqui não houvesse, também, crime organizado. Só em 2025, mais de 1,4 mil servidores deixaram a Polícia Civil. Como combatermos o PCC (Primeiro Comando da Capital) assim?”, questiona Jacqueline.
A entidade sindical ainda cobra as promessas de Tarcísio de Freitas, divulgadas em 2022, ainda na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes: “Queremos saber quando a Polícia Civil de São Paulo será realmente valorizada, ou se isso ficará para a campanha de 2026. Sem cumprir o prometido, falar em combate às organizações criminosas é, tão somente, retórica política populista”, conclui Jacqueline Valadares.


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