Os impactos do aquecimento global na saúde ocular são cada vez mais evidentes. O último relatório da OMM (Organização Mundial de Meteorologia) revela que os gazes estufa nunca atingiram níveis tão altos como os deste ano.
De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor do Instituo Penido, se nada for feito para conter o aquecimento poderemos ter um expressivo aumento de casos de catarata no Brasil. Isso porque, a catarata é a opacificação do cristalino, parte do globo ocular que funciona como uma lente biconvexa formada por fibras cristalinas por onde a luz externa passa e é enviada à retina, onde se formam as imagens, explica Queiroz.
Segundo o oftalmologista, a radiação ultravioleta (UV), agora mais potente devido ao afinamento da camada de ozônio, é um fator de risco bem documentado para a formação da catarata. De fato, a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 20% da catarata global é causada pelo excesso de exposição à radiação ultravioleta.
A OMS também estima que em 2050, a população mundial com 60 anos ou mais, faixa etária em que surge a catarata, deve dobrar passando de 1 bilhão para 2 bilhões. Maior causa de cegueira reversível, a catarata responde por 51% dos casos de perda da visão no mundo e por 49% no Brasil.
Queiroz Neto ressalta que além da exposição à radiação UV mais forte, o cristalino é sensível ao calor extremo que também desnatura suas fibras, acelera o estresse oxidativo e diminui a circulação de dois antioxidantes naturais do humor aquoso – a glutationa e vitamina C – que normalmente protegem o cristalino.
Outros fatores de risco são o tabagismo, bebidas alcoólicas, diabetes e uso de corticoide sem recomendação médica.
COMO PREVENIR
“Não tem como evitar a catarata. Acima dos 50 anos todos nós vamos ter de operar”, afirma Queiroz Neto. Entretanto, alguns cuidados podem adiar a cirurgia, especialmente agora que estamos vivendo este aquecimento global.
“O principal é usar óculos que filtrem cem por cento a radiação UV. Verifique se na haste dos óculos consta a etiqueta UV400 ou cem por cento UV. O mais seguro é comprar óculos com o selo ABNT NBR ISO 12312-1.
O oftalmologista afirma que no estágio inicial a doença pode passar despercebida. Conforme a catarata evolui, indica que já é hora de operar. Os sintomas são troca frequente de óculos; dificuldade de dirigir à noite; enxergar as cores desbotadas; e ver halos ao redor da luz.
Queiroz afirma que o diagnóstico é feito durante um exame de rotina. Antes de operar é necessário passar por tomografia da retina e pelo exame de biometria, bem como pelos exames clínicos. A operação é feita em um olho e uma semana depois no outro. O procedimento é realizado com anestesia local e sedação, sem necessidade de internação.
A lente não pode ser trocada e por isso o ideal é conversar com o cirurgião para saber se será preciso usar óculos ou não. Muitos passam a enxergar melhor do que enxergavam antes.


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