Era uma tarde fria de junho. Estávamos a caminho de uma serenata no Brooklin quando algo completamente improvável aconteceu.
Parados em um semáforo, avistamos um carro exatamente igual ao nosso. Mesma cor, mesmo modelo, mesmo ano e praticamente o mesmo estado de conservação. Parecia que alguém havia feito uma cópia perfeita do veículo da “Serenata & Cia”.

Enquanto comentávamos a coincidência, percebemos um detalhe ainda mais inacreditável. No vidro dianteiro balançava um pequeno sapo pendurado. O nosso carro também tinha um. E não era parecido, era igual. Mesmo tamanho, mesma posição, mesma expressão engraçada. Por alguns segundos ficamos olhando para o outro carro sem saber se ríamos ou se tentávamos entender o que estava acontecendo. Alguém resumiu a situação:
— Acho que encontramos nosso carro em uma realidade paralela! A gargalhada foi geral.
Mal sabíamos que aquela cena combinava perfeitamente com a missão daquele dia. Nossa amiga Silvia havia sugerido uma serenata para ajudar a integrar os moradores de um residencial. Apesar de várias tentativas anteriores, a convivência entre eles não era das melhores. Havia grupos fechados, pequenas rivalidades e pouco contato entre muitas pessoas.
Chegamos com violões, bom humor e uma proposta simples: criar momentos para serem compartilhados.
Vieram canções animadas, comerciais antigos que fizeram muita gente completar jingles de memória, historias que despertaram lembranças da juventude e textos motivacionais sobre amizade, empatia e convivência.
As brincadeiras também tiveram seu espaço. Aos poucos, pessoas que quase não conversavam começaram a rir juntas. E quando as pessoas riem juntas, algo muda. Percebemos que muitas vezes o que falta não é uma solução complicada, mas uma experiência capaz de criar conexão.
A música fez seu trabalho silencioso. Aproximou olhares, despertou memórias e abriu espaço para novas conversas. Dias depois, Silvia me ligou empolgada.
— Fredi, foi um sucesso! O pessoal adorou. Parece que finalmente descobrimos como virar a chave. As pessoas estão muito mais próximas.
Desliguei o telefone lembrando dos carros gêmeos e dos sapos balançando nos vidros naquela tarde fria. E pensei que talvez aquilo fosse uma metáfora perfeita para a vida. Passamos tanto tempo olhando as diferenças que esquecemos quantas semelhanças existem entre nós. No residencial, as pessoas descobriram justamente isso.
E o sapo? Bem, ele trouxe uma lição extra.
Ao longo da vida, todos nós precisamos engolir alguns sapos: diferenças de opinião, manias alheias e pequenas contrariedades do dia a dia. Mas quando aprendemos a fazer isso com leveza, abrimos espaço para algo muito melhor.
Curiosamente, encontramos dois carros idênticos com dois sapos idênticos justamente no dia em que fomos ajudar um grupo a perceber o quanto era mais parecido do que imaginava. A vida certamente tem mesmo senso de humor.
Porque, no fim das contas, quem aprende a engolir alguns sapos acaba colecionando muito mais risadas, amizades e boas historias para contar. E aquela, sem dúvida, virou uma delas.
Por: Fredi Jon
(Conheça nossa arte da serenata – serenataecia.com.br / 11 99821-5788)


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