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Em Parelheiros, as UBSI’s Vera Poty e Krukutu cuidando dos guaranis

Em uma área de quase 16 mil hectares no extremo Sul paulistano, em Parelheiros, está a Terra Indígena Tenondé Porã, que abriga cerca de 1,5 mil indígenas do povo Guarani, distribuídos em 17 aldeias (tekoas). O território é marcado pela preservação cultural, vínculo com a terra e formas próprias de organização da vida e do cuidado.

Nesse cenário estão duas Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI’s) da Prefeitura de São Paulo, a Vera Poty e a Krukutu. Exclusivas para a população indígena e vinculadas à Supervisão Técnica de Saúde (STS) de Parelheiros, da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), oferecem atenção básica aliada à escuta qualificada e a um modelo que integra a medicina ocidental aos saberes ancestrais Guarani.

A UBSI Vera Poty completou 26 anos e se consolidou como referência no território. Já a UBSI Krukutu, antes anexo, passou há cerca de um ano e meio a funcionar com estrutura completa de Estratégia Saúde da Família (ESF), com equipe multiprofissional, consultório odontológico, farmácia e sala de vacinação, além de presença de profissionais indígenas.

As duas unidades compartilham o mesmo princípio: oferecer assistência considerando cultura, língua, território e espiritualidade da população atendida.

RESPEITAR A CULTURA

Durante visita à Vera Poty, em março último, a gerente Karen Mascarenhas destacou que o trabalho exige sensibilidade para compreender a dinâmica local. “O acolhimento tem que ser diferenciado. Tem que ter empatia e respeitar a cultura acima de tudo”, afirmou.

Afinal, a unidade atende aldeias com diferentes perfis e distâncias, de 15 minutos a cerca de uma hora. Para alcançar a população, equipes realizam visitas periódicas, levando consultas, acompanhamento de doenças crônicas e orientações de tratamento.

A forte presença de profissionais indígenas como agentes de saúde, saneamento e promoção ambiental, fortalece o vínculo e facilita a comunicação, já que muitos usuários falam guarani.

A população local é majoritariamente jovem e feminina, mas há casos como o da centenária dona Angelina, de 106 anos, acompanhada pela equipe. Sua família destaca o vínculo com a unidade desde o pré-natal de gerações mais novas.

Na aldeia Krukutu, a enfermeira Adriana Izo destaca que o principal desafio é conciliar assistência em saúde e respeito à cultura. Cerca de 35% da equipe é composta por profissionais guarani, o que facilita o atendimento. A unidade acompanha cerca de 90 famílias (320 pessoas) em uma área mais isolada. “Meu maior aprendizado é saber que a gente pode oferecer saúde fazendo parceria entre a cultura medicinal deles e a nossa”, resume Adriana.

A implantação da UBSI Krukutu resultou da mobilização da comunidade. O agente de promoção ambiental Marcelo Vidal, 42 anos, destaca que a unidade reduziu a necessidade de deslocamentos longos.

 

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