Você está aqui: Home › Colunas › Editorial
Editorial

E-mail: noticiasdaregiao@terra.com.br

04/02/2019
O aeroporto está de volta

Uma iniciativa que provocou muita polêmica no extremo Sul paulistano há cerca de cinco anos atrás, está voltando à baila e pode provocar novas discussões. Trata-se da construção de um aeródromo na região de Parelheiros pelos empresários André Skaf e Fernando de Arruda Botelho, da empresa Harpia Logística. André é filho do empresário Paulo Skaf, candidato ao governo do Estado de São Paulo em 2018, e Fernando é ligado à Construtora Camargo Corrêa.

O aeródromo proposto por eles ocupa uma área em torno de 4 milhões de metros quadrados e é destinado a jatos e táxis aéreos. Em 2013, os empresários conseguiram autorização da Secretaria de Aviação Civil para sua construção. Entretanto, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano vetou o projeto no mesmo ano, ao indeferir a emissão de certidão de uso e ocupação do solo. Desde então, o caso vem sendo discutido na Justiça.

A novidade é que, em dezembro passado, a Prefeitura de São Paulo expediu uma certidão para os empresários, por determinação judicial. De acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, trata-se de uma certidão de diretrizes que nada tem a ver com o licenciamento para execução do projeto. Ela apenas atesta o zoneamento de um determinado terreno e estabelece quais regras são aplicadas naquele local para se obter o licenciamento.

Conforme reportagem do jornal “Interlagos News”, o secretário Fernando Chucre (Urbanismo e Licenciamento) afirmou que o setor de licenciamento da Prefeitura ainda não recebeu nenhum projeto para que possa ser expedido documento que autorize o uso da área em questão. Na reportagem o secretário diz ainda considerar difícil que se licencie “um empreendimento desse porte em uma área que está em Zona Especial de Proteção Ambiental, portanto, aonde há uma série de restrições, especialmente do ponto de vista ambiental”.

A construção do aeródromo em Parelheiros, ou do Aeroporto de Parelheiros, como ficou mais conhecido, provocou calorosas discussões quando seu projeto foi apresentado há cerca de cinco anos atrás. Principalmente nas audiências públicas em que o próprio André Skaf participava para apresentar e defender o projeto, mostrando os seus benefícios para o desenvolvimento da região e para a geração de emprego e renda à população local.

André também contestava as alegações de prejuízos ambientais que o seu aeródromo traria a Parelheiros e que esta questão foi considerada e contemplada no projeto. Porém, ao contrário, ambientalistas e opositores do aeroporto diziam que a obra interferiria, sim, na questão ambiental, na fauna, flora, no conjunto de nascentes e até mesmo na base da cabeceira da represa de Guarapiranga, impactando-a. Lembravam ainda que a região de Parelheiros produz água para mais de 4 milhões de habitantes e que um projeto daquela envergadura deveria ser mais discutido.

Há sinais de que esta discussão volte à tona, pois novos fatos começam a surgir e, aí então, a população também deve decidir: o aeródromo (ou aeroporto) é uma obra importante ou é uma agressão ambiental a Parelheiros?




Coluna Interlagos

Confira aqui as notícias da sociedade e as fotos de quem é notícia em Interlagos e região.