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Editorial

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02/04/2019
Março não tão rosa

 

Durante o mês de março, quando se repercute o Dia Internacional da Mulher, aconteceram diversos eventos comemorativos, várias homenagens e celebradas algumas conquistas relativas à mulher.

No extremo da zona Sul paulistana o mês também foi de homenagens, reconhecimentos e de conquistas femininas, ainda mais por ser uma região em que muitas mulheres se destacaram ao longo de sua recente historia pelas lutas reivindicatórias por infraestrutura urbana, por regularização fundiária e até mesmo contra a carestia que tanto mais castiga a periferia.

Também foram destaques no mês as novas mulheres empreendedoras e aquelas que vem galgando cargos de comando em empresas, entidades e instituições. E ainda aquelas que vem exercendo profissões antes consideradas exclusivamente masculinas, e assim quebrando tabus e preconceitos.

Também foram organizados eventos elegantes para festejar a mulher, pela Fraternidade Aca Laurência, na sede da Fiesp, e pela Associação Empresarial da Região Sul e Clube de Campo do Castelo, na sede deste clube. Outros eventos com o mesmo tema aconteceram pela região, trazendo exposições, palestras, apresentações artísticas e culturais, oferecendo serviços de estética, beleza, saúde e qualidade de vida para a mulher, em especial.

Outro evento significativo foi a inauguração das novas instalações da 6ª Delegacia de Defesa da Mulher de Santo Amaro, que também passou a funcionar 24 horas, de segunda a segunda e equipada com mais policiais. Em grande estilo e pompa, a inauguração teve até as presenças do governador e do prefeito.

Entretanto, o acontecimento deixou um traço de frustração que foi a não confirmação pelo governador João Doria, da criação – reivindicada pela região – de mais uma Delegacia da Mulher no extremo Sul para melhor atender as mulheres em situação de violência que vivem em áreas mais afastadas de Santo Amaro, como Engenheiro Marsilac, Parelheiros, Grajaú e adjacências.

Além dessa frustração, algumas informações preocupantes também foram dadas durante os eventos de março, aqui na região, que mostraram o outro lado das “comemorações” do Dia da Mulher. Em palestra ministrada no CEU Cidade Dutra, por exemplo, foi citada pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS) que aponta que sete entre dez mulheres no mundo, já foram vítimas de algum tipo de violência.

Aplicado esses dados no distrito de Cidade Ademar, aqui na zona Sul, que tem 411 mil habitantes, sendo 218 mil mulheres, então chega-se ao alarmante número de 152 mil mulheres que já sofreram algum tipo de violência em Cidade Ademar.

Também impressionou o relato do número de casos de violência contra a mulher que ocorrem nas escolas, seja com professoras, funcionárias ou alunas. Foram ainda lembrados os muitos obstáculos que a mulher ainda enfrenta na carreira, o que a impede de conquistar a equidade de gênero nos ambientes corporativos.

 

Mais que comemorar o 8 de março, é preciso lutar contra essa situação de desigualdade e violência, ou como disse uma vítima de agressão que foi registrar boletim de ocorrência na 6ª DDM: “Nesta situação a mulher não deve ter medo. A mulher tem que ser firme”.

 




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