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Editorial

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07/05/2019
Descaso com teatro

Talvez pior que uma obra não feita, seja uma obra malfeita. Chegamos a essa conclusão diante do que ocorre com o Teatro Popular Paulo Eiró, localizado na avenida Adolfo Pinheiro, em Santo Amaro, há 62 anos e ostentando a posição de segundo maior teatro da capital paulista.

Portanto, ele não é só patrimônio cultural de um bairro, mas de toda cidade. Mas, apesar disso, o Paulo Eiró continua relegado a segundo plano, abandonado pelas seguidas administrações públicas municipais que não lhe proporcionam instalações e infraestrutura condizentes para que possa funcionar e continuar a oferecer programas culturais para a população local, como sempre o fez durante décadas, até ser fechado por uma necessária reforma estrutural que, no entanto, parece não ter mais fim e seguida de imprevistos e problemas incompreensíveis.

O teatro esteve fechado de 2011 a 2015 para uma reforma geral, que envolvia obras elétricas, hidráulicas, estruturais e também para troca de cadeiras, palco, ar condicionado, condições de acessibilidade e outras mais. Tudo isso teria custado R$ 14 milhões, de acordo com a gestão Fernando Haddad, então prefeito de São Paulo.

O “Notícias” esteve presente na visita que Haddad e seu secretário de Cultura fizeram ao Teatro Paulo Eiró, às vésperas de sua reabertura para o público, em 2015, quando descreveram para a imprensa as melhorias feitas no local e que ali surgia um novo Paulo Eiró, modernizado, ampliado e mais confortável.

De fato, o teatro retomou sua programação e o público se mostrava satisfeito com as recentes melhorias. Mas, foi por pouco tempo. No ano seguinte, 2016, o equipamento foi novamente fechado por problemas na rede elétrica, segundo informação da época. Ele só viria a ser reaberto em março de 2017, já com algumas reclamações dos frequentadores  sobre certos problemas nas instalações do teatro que ocasionavam incômodos para o público.

E assim foi até outubro de 2018, quando “um transformador foi danificado”, conforme a Secretaria Municipal de Cultura, e o Paulo Eiró foi, pela terceira vez, fechado e assim permanece até agora, sem nenhuma informação ao público sobre medidas para sanar o problema e previsão de reabertura.

Diante disso, entidades santamarenses se reuniram para elaborar, assinar e entregar às autoridades responsáveis, documento pedindo providências definitivas para o teatro e sua imediata reabertura para que a população local possa novamente ter acesso à cultura. O documento foi entregue ao prefeito Bruno Covas, durante sua visita a Santo Amaro, em 12 de abril.

Os cidadãos mais velhos dessa região devem se lembrar das tradicionais festas de formatura, das encenações, das apresentações de balé, shows e outros eventos que costumeiramente aconteciam no Paulo Eiró. Por essas lembranças é que não podemos deixar que também o Teatro Paulo Eiró se torne uma lembrança.




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