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Editorial

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03/07/2018
No transe da Copa

 

Um clima diferente toma conta do país de quatro em quatro anos, com o advento da Copa do Mundo de Futebol. Como no Natal ou no Carnaval, o espírito de Copa do Mundo transforma pessoas, tirando-as daquele ritmo mecânico do cotidiano. Por alguns momentos elas se esquecem de contas, dívidas, trabalho, desemprego, política, economia, questões pessoais e entram no transe da Copa.

São momentos de extravasamento de tensões, alegrias, tristezas e, ao mesmo tempo, de convívio inesquecível com determinadas pessoas e lugares, pois, dificilmente alguém esquece o lugar onde esteve e com quem estava quando da malfadada eliminação da Seleção Brasileira diante da Alemã, em 2014, ou da final entre Brasil e Itália, em 1994, ou daquela alegre manhã de 2002, quando o Brasil derrotou a Alemanha e se tornou pentacampeão. Eles se tornam momentos marcantes para muita gente.

Apesar do desastre dos 7 a 1 no Mineirão, na última Copa, apesar da apatia que tomou conta dos brasileiros em relação à seleção de uns anos para cá e da falta de identificação que parece existir entre os jogadores da seleção (a grande maioria atuando no exterior e alguns até desconhecidos no Brasil) e o torcedor, quando começa a Copa do Mundo, tudo se transforma no país do futebol.

As pessoas passam a acrescentar na rotina diária uma passadinha de olho nos aparelhos de TV para acompanhar a Copa, e não só os jogos do Brasil. Mudam-se os hábitos: alguns levantam mais cedo, vão tomar o café da manhã no bar ou padaria (desde que tenha uma TV ligada) ou simplesmente se debruçam diante do computador no escritório para ver jogos incríveis entre as melhores (e as não tanto) seleções e jogadores mundiais.

As ruas começam a ser pintadas de verde e amarelo, bandeiras nacionais e algumas de outros países surgem nas sacadas de apartamentos, nas casas e estabelecimentos comerciais. Os veículos trafegam desfilando bandeirolas. As tradicionais e insubstituíveis tabelinhas de papel da Copa do Mundo começam a ser preenchidas e conferidas, bolões são feitos no trabalho, nas reuniões de família e nas mesas de botequim e quase todos vão para a frente das telas e telões devidamente uniformizados.

Assim é o gostoso clima de Copa do Mundo, independentemente de vitórias ou derrotas, quando a cidade se torna mais colorida, viva e torcedora.

É bem verdade que os problemas continuam existindo e as soluções são adiadas. Também é verdade que este clima não atinge a todos, por diversos motivos. E que também é preciso ficarmos alertas para certas maracutaias oficiais que costumam ocorrer nesses momentos de distração do povo.

Mas não há como evitar ser contagiado pelo vírus da Copa do Mundo. E, tomara, ela termine em 15 de julho como terminou em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 para júbilo dos brasileiros.

E no dia seguinte à grande festa estaremos de volta à plataforma lotada da Estação Grajaú da CPTM esperando o trem, parados no trânsito congestionado da avenida dona Belmira Marin, prostrados em alguma UBS da região na esperança de conseguir marcar uma consulta e de volta à porta de alguma empresa atrás de uma vaga de trabalho. E assim, a vida volta ao normal.

 




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