Você está aqui: Home › Colunas › Editorial
Editorial

E-mail: noticiasdaregiao@terra.com.br

28/02/2019
O verde esquecido

Já há algum tempo, temos recebido reclamações e denúncias sobre a situação nada boa dos parques municipais do extremo Sul paulistano. As queixas maiores são em relação à falta de manutenção e de atenção para com estes parques, que funcionam com equipamentos (de ginástica, playground, bancos etc.) danificados, instalações defeituosas, poucos funcionários, segurança insuficiente, ameaças de invasão, constantes despejos de lixo, entulho e outros problemas mais.

As queixas também dizem respeito à falta de atitude dos responsáveis, que são informados sobre o que ocorre nos parques, mas pouco fazem (ou procuram fazer) para minorar a situação. Vale lembrar que os parques municipais da cidade estão sob a jurisdição da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente (SVMA). Esta, por outro lado, parece ter um orçamento cada vez mais reduzido, em favor de outras áreas do governo municipal consideradas essenciais.

Entretanto, não vemos tanta carência ou falta de atenção quando se trata do Parque do Ibirapuera, por exemplo, ou algum outro mais próximo da região central da cidade. E justamente os parques municipais periféricos que tanto ou mais necessitam de manutenção, cuidados e benfeitorias – até por serem, em alguns lugares, o único local de lazer para a população – são os que ficam relegados a segundo e até último plano.

O desconhecimento pela Secretaria da real situação de alguns destes equipamentos em nossa região pode ser constatada ao acessar o seu site. Nele, por exemplo, o Parque Linear do Castelo, situado no distrito de Cidade Dutra, às margens da represa de Guarapiranga, está com a sua principal atração funcionando normalmente. Na realidade, o seu extenso deck mirante e pesqueiro está interditado há quase três anos, porque a madeira nele utilizada não foi devidamente tratada e as tábuas do seu piso começaram a rachar e quebrar. O visitante só é informado disso ao chegar no parque.

Sem sua principal atração, a frequência ao parque é pequena, apenas alguns idosos que vão passear em seu bosque e alunos de escolas da região que vão visitar o projeto de horta comunitária lá existente e mantido por uma escola particular de Cidade Dutra.

Também em relação ao Parque Municipal do Laguinho, ex-Jacques Cousteau, na região de Interlagos, a Secretaria demonstrou desconhecimento ao nos informar que a sua gestora estava afastada por motivo de saúde e que outro funcionário estava cobrindo a sua ausência no parque. Isso aconteceu meses atrás.

Na ocasião, constatamos que a gestora do Laguinho, de fato, havia sofrido um acidente e que estava com uma perna imobilizada, entretanto, não havia ninguém a substituindo. Era ela que de casa procurava manter a rotina do parque.  

Esse desconhecimento oficial em relação à situação dos dois parques aqui citados, nos parece decorrente do desinteresse, ou talvez, do descaso, para com os parques municipais da periferia que, mesmo diante dessas dificuldades, procuram bravamente se manter como parques para o lazer e a educação ambiental da população, e como parques para continuarem preservando os mananciais e o verde que ainda resta.




Coluna Interlagos

Confira aqui as notícias da sociedade e as fotos de quem é notícia em Interlagos e região.