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Editorial

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03/04/2018
Arco da discórdia

O Arco Jurubatuba, como é comumente chamado, é um programa estratégico da Prefeitura de São Paulo que está dentro do denominado Projeto de Intervenção Urbana (PIU). Conforme sua definição, ele visa promover melhorias na oferta de trabalho e moradia pela cidade, com foco na articulação dos polos de emprego e no aproveitamento dos sistemas de infraestruturas que permitem o deslocamento de pessoas e produtos.

Ou seja, em se tratando do PIU Arco Jurubatuba a ideia é a criação de mais empregos na região para evitar os constantes deslocamentos e viagens das pessoas pela cidade; a regularização de áreas que precisam de investimentos; a melhoria da mobilidade urbana local; e a implantação de outras políticas públicas mais, a longo prazo.

De acordo com José Armênio da Cruz, presidente da SP Urbanismo, órgão que faz os estudos do projeto, foi feito um levantamento dos problemas e das possibilidades encontradas no território do Arco Jurubatuba, que compreende os distritos de Vila Andrade, Jurubatuba e Interlagos. À partir disso, José Armênio explica que o projeto buscou, “baseado no binômio socioambiental moradia - mananciais, o desenvolvimento econômico da região”. O presidente deu essa explicação para as pessoas presentes em audiência pública sobre o Arco Jurubatuba, realizada no CEU Cidade Dutra, em fevereiro passado.

Já há um bom tempo, esse projeto vem despertando a curiosidade e o interesse dos habitantes dos três distritos envolvidos. A ideia que se fazia é a de que ele proporia medidas, ações e intervenções que revitalizassem certas regiões que há anos estão deterioradas, sem benfeitorias em sua infraestrutura urbana, desabitadas, com vários imóveis desocupados e com baixa movimentação comercial e quase nenhuma industrial.

Embora pareça que a revitalização destes lugares, com o reaproveitamento de suas infraestruturas, seja o objetivo principal do PIU Arco Jurubatuba, apresentado na audiência pública no CEU Cidade Dutra, a maneira como isso está proposto no projeto, praticamente não agradou a ninguém que se manifestou após sua apresentação.

O plano prevê, entre outras coisas, a construção de parques, de edifícios maiores (alguns luxuosos) e menores, de conjuntos habitacionais e, inclusive, a criação de um bairro dentro do Autódromo de Interlagos com prédios residenciais, um complexo empresarial e até um shopping center. Para a área do Kartódromo Ayrton Senna o PIU prevê a construção de 25 prédios para receber cerca de cinco mil famílias.

Não era bem o que imaginávamos do Arco Jurubatuba. Nos pareceu um projeto com boas intenções, mas com propostas um tanto grandiosas, ambiciosas e com resultados somente a longo prazo. Ele pouco trata das questões dos mananciais e da moradia popular, temas que afligem o extremo Sul da cidade. Por outro lado, o projeto causou grande preocupação quanto a uma possível especulação imobiliária na região e ao possível impacto negativo que ele viria a causar no autódromo e no bairro de Interlagos.

Com as devidas proporções, o Arco Jurubatuba é necessário para a região como é necessária a reforma da Previdência Social para o país. Mas, que seja bem discutido e com muita transparência. 




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